História

A ACSA – Associação Cão Serra de Aires, com um trabalho de conservação, fomento, estudo, promoção e divulgação do Cão da Serra de Aires – Raça Portuguesa, Alentejana (Alto Alentejo), Património Animal e Cultural (com forte incidência no campo imaterial - PCI) com identidade “demarcada”, que se constitui também como um produto turístico - a ACSA propõe-se a dar um contributo à atractividade da região e ao seu desenvolvimento. 

 

História do Cão da Serra de Aires

O Cão da Serra de Aires é um cão de pastor para condução e vigilância de rebanhos, mas é também um excelente cão de companhia e de desporto.

 

Raça relativamente recente, do princípio do séc. XX, é uma das dez raças registadas no Livro Português de Origens, fundado em 1936 e publicado em 1942. 

Porém, já em 1932 a raça é reconhecida pelo Clube Português de Canicultura (à época Secção de Canicultura do Clube dos Caçadores Portugueses).

 

Deve esta raça a sua origem, o seu nome e a sua valorização ao Monte da Serra de Aires, junto à mancha geográfica designada por Serra de Aires, na freguesia de Santo Aleixo, concelho de Monforte- Alto Alentejo; ao proprietário desta herdade, o Conde de Castro Guimarães e ao gestor da sua exploração agrícola, num âmbito de grande dinamismo das casas agrícolas.

 

É preciso reportarmo-nos às condições de outros tempos para aferir da extrema utilidade deste cão na sua primordial função.

Era um tempo em que a produção animal não era confinada a espaços mais ou menos restritos, os animais comiam o que a terra espontaneamente dava, e o pasto seco resultante das ceifas das culturas cerealíferas. Era preciso percorrer longas distâncias.

Era preciso resistência e adaptação às condições térmicas desta região, o calor é de grande severidade. 

 

Os rebanhos essencialmente de ovinos, mas também caprinos, suínos, bovinos, equinos, e até perus e gansos, percorriam territórios de grande extensão sem cercas, pelo que a salvaguarda dos muitos espaços interditos por um lado, e por outro a não tresmalhação do gado, dependiam unicamente do pastor e do seu cão.

As propriedades eram divididas por transponíveis marcas (linhas de água, estradas, linhas de arvoredo, baixos muros de pedra, ou o simples “lindão”).

Este era também um tempo em que os predadores, essencialmente atuantes na escuridão, constituíam sério perigo.

 

Havia muitas vezes a presença também do cão Rafeiro do Alentejo, por ser um cão de guarda por excelência, que complementava o trabalho da Serra de Aires.

 

São muitas as competências que este cão, efetiva e admiravelmente, tem. Sendo muitíssimo ativo tem sempre uma expressão viva e dócil, nele sobressaem: perspicácia; agilidade; rapidez; simplicidade, eficácia, espontaneidade, afirmação, naturalidade; facilidade de aprendizagem e de adaptabilidade

Pela sua atitude e aspecto, na sua região de origem era também conhecido como cão macaco.

 

Cão de tamanho médio, pelo longo, mas sem exigir grandes cuidados. 

Não tem subpêlo, o que é uma grande vantagem na sua competência de cão de companhia, não deixando os inconvenientes pêlos pela casa, porque são aqueles que mais caem. 

 

Na década de 50 e 60 registam-se novas medidas de valorização deste cão. 

É criado em 1954, pelo Dr. António Cabral e pelo Dr. Filipe Morgado Romeiras, o Estalão da Raça do Cão da Serra de Aires. 

E a Serra de Aires destaca-se, no final desta década, nas demonstrações de condução de rebanhos de ovelhas em várias edições da “Prova de Trabalho do Cão Pastor da Serra D’Aires”, integrada na Feira da Agricultura de Santarém/Feira do Ribatejo-Santarém.

 

Entretanto dá-se uma alteração no maneio dos rebanhos. O uso de aramadas, assim como a alteração do regime alimentar dos gados, causando a quase dispensa de condução, vão provocar um apagamento do cão pastor.

 

Nas décadas de 70 e 80, foi de enorme importância para a sobrevivência da raça a Estação de Fomento Pecuário do Alto Alentejo (fundada em 1952, na Tapada do Arneiro em Alter do Chão, e entretanto extinta, coexistindo com a centenária Coudelaria de Alter) com a criação de uma componente de canicultura, direcionada para o Rafeiro do Alentejo e para a Serra de Aires, que passados alguns anos acaba por ser extinta.

 

Em 1990 com a finalidade de continuar a preservação desta raça foi criado o Clube Português do Cão da Serra de Aires.

 

Em 2014, com o objectivo de contribuir de forma muito activa e consistente para a preservação desta raça foi criada, a ACSA - Associação do Cão Serra de Aires, essencialmente vocacionada para a recolocação, intensificação do cão na função.

 

A Associação tem sede em Alter do Chão.

Em conjunto com o Município de Monforte criou um Centro de Reprodução, em Monforte.

Tem protocolos estabelecidos com várias entidades (Município de Alter do Chão, Município de Monforte, Instituto Politécnico de Portalegre, Universidade de Évora).

Formalizou um pedido de apoio à entidade Turismo do Alentejo/Ribatejo, e um outro à Leadersor.

Organiza vários eventos com periodicidade anual, com destaque para Encontro de Criadores de Serra de Aires, Concursos Regionais, Demonstrações de Pastoreio, Exposições em Feiras de âmbito Agrícola.

 

Hoje em dia são já em número considerável os criadores que valorizam esta raça, verificando-se no último ano um aumento de registos de cerca de 20%